As figuras do Mundial

Como é habitual em grandes competições internacionais, alguns jogadores receberão mais atenção por parte do público, analistas e imprensa. São as grandes referências dos seus países, apetecíveis produtos de marketing, figuras marcantes por onde quer que passem.

São ídolos de milhões de jovens que tentam seguir as suas pisadas, e estar sempre a par das suas notícias. Os movimentos que fazem em campo são vistos e revistos, e nos dias seguintes milhares de jovens tentam reproduzir a mesma finta, o mesmo lançamento, o mesmo passe. O Mundial da Turquia não será excepção, e por isso mesmo tentaremos enunciar alguns dos principais destaques que estarão presentes no Mundial ’10.

Hedo Turkoglu, Turquia 

Turkoglu é a grande figura da equipa anfitriã, e jogando um Mundial no seu país, certamente que não quererá decepcionar os fiéis e apaixonados adeptos turcos.

Na ausência de Mehmet Okur terá de ser o extremo dos Phoenix Suns a assumir a liderança da selecção turca, agrupando as tropas nos momentos decisivos, assumindo as jogadas importantes, penetrando para o cesto como costuma fazer, não tremendo nos seus lançamentos de 3 pontos. A fé de um país inteiro será carregada por Turkoglu que espera ter o apoio das jovens revelações turcas, nomeadamente Ersan Ilyasova, Omer Asik e Semih Erden.

Ultrapassada que está a fase algo conturbada da sua carreira, onde fez o que podia para ser transferido de Toronto, e depois de ter lançado algumas palavras menos positivas em relação aos responsáveis dos Raptors, o extremo turco poderá aproveitar o Mundial realizado no seu país para recuperar as boas exibições e dar alguma esperança aos adeptos dos Phoenix Suns, futura equipa de Hedo Turkoglu.

 

Milos Teodosic, Sérvia 

Muito provavelmente a principal figura de uma equipa sérvia em crescendo, constituída por muitos jovens que já mostraram ser possível repetir os êxitos do passado de uma das maiores potências do basquetebol europeu.

No Eurobasket ’09 conduziu o seu país à medalha de prata, tendo uma prestação fantástica nas meias-finais com 32 pontos marcados. Sem surpresa integrou o 5 Ideal de uma competição em que demonstrou que tem a capacidade de ser uma das grandes figuras do basquetebol europeu. No Olympiacos tem demonstrado a sua enorme capacidade de passe e visão de jogo aliadas a uma genialidade ao alcance de poucos. Recentemente esteve envolvido na batalha campal da Acrópole, mostrando uma vez mais que a sua genialidade anda de mãos dadas com um lado mais conflituoso.

Para que a Sérvia consiga repetir a surpreendente caminhada do Eurobasket ’09 precisará do base de 23 anos Milos Teodosic em grande forma, para conduzir esta jovem selecção. 

 

Ricky Rubio, Espanha 

Na ausência de Pau Gasol, a liderança da equipa deverá ser assumida por Juan C. Navarro ou José Calderon. Mas ninguém dúvida que os focos de atenção e as luzes das câmaras estarão apontadas na direcção de Ricky Rubio, base do Regal FC Barcelona.

Afastado da agitação a que teve direito no Verão de 2009, o jovem prodígio teve uma época de sucesso na Cidade Condal e poderá aproveitar o Mundial da Turquia para voltar a mostrar aos cépticos que não terá problemas em enfrentar jogadores de grande qualidade, e que o seu jogo não estagnou.
Pelo contrário, no Verão de 2010, Rubio aparece mais forte fisicamente, com maior capacidade de aguentar o choque e as cargas dos seus adversários, e com uma melhorada mecânica de lançamento exterior.

Se a selecção de Espanha defrontar a dos Estados Unidos da América é mais do que previsível a importância que será dada a esse jogo, que servirá como teste para as actuais capacidades do jovem base de 19 anos de idade, Ricard Rubio.

 

Kevin Durant, EUA 

A sua carreira chegou a uma fase em que está prestes a ser considerado uma das super estrelas da NBA. As suas prestações ao serviço dos Oklahoma City Thunder valeram-lhe o segundo lugar na corrida pelo prémio de MVP da Fase Regular da NBA, tendo sido superado, apenas, por LeBron James.

A ausência dos jogadores norte-americanos que formaram a Redeem Team abre portas a uma nova geração de jogadores em ascensão. Kevin Durant é um desses jogadores, e terá no Mundial ’10 uma excelente oportunidade de se tornar numa referência do basquetebol norte-americano e mundial já que será o líder incontestável da selecção dos Estados Unidos da América..

Em princípio conseguirá adaptar-se sem problemas ao basquetebol da FIBA, fazendo valer o seu leque de soluções ofensivas, seja o temível lançamento de meia e de longa distância ou através de penetrações em drible. O seu altruísmo e capacidade de jogar em equipa fazem dele um caso raro no meio dos talentos norte-americanos e isso será mais um ponto forte a adicionar ao jogo de KD.

 

Luís Scola, Argentina 

Muito provavelmente este será o último Mundial que a fantástica geração de jogadores argentinos fará em conjunto, e sem poderem contar com os préstimos de Manu Ginobili, os argentinos tentarão repetir a presença na Final do Mundial, contando para isso com o valioso contributo de Luís Scola, jogador dos Houston Rockets.

O seu jogo de pés, e capacidade para jogar 1x1 de costas para o cesto, em zonas interiores, são uma mais valia em qualquer equipa, em qualquer campeonato do Mundo. Desta forma, Scola será uma das grandes figuras no que diz respeito aos jogadores que ocupam posições mais interiores, e tendo em conta a ausência de jogadores como Pau Gasol, Andrew Bogut, Yao Ming ou Dwight Howard, o argentino Scola será o jogador interior mais cotado a marcar presença no Mundial de 2010.

A Argentina parte para o Campeonato do Mundo como a #1 do ranking da FIBA, e a classificação final de uma das selecções mais fortes dos últimos torneios a nível global dependerá do nível a que Luís Scola jogar e conseguir contagiar os seus compatriotas.

 

Tiago Splitter, Brasil

Dificilmente o Brasil terá uma palavra a dizer na luta pelo ouro mundial, no entanto, este poderá ser o momento ideal para Tiago Splitter mostrar ao grande público aquilo de que é capaz. Apesar de ter integrado tardiamente a fase de preparação da selecção brasileira, o novo poste dos Spurs ainda foi a tempo 

Numa fase em que muito se especula sobre a sua qualidade para triunfar na NBA, Tiago Splitter terá no Mundial da Turquia a oportunidade para comprovar e mostrar se está ou não preparado para as exigências e confrontos que terá de enfrentar na liga norte-americana. O jogo interior brasileiro está bem apetrechado com Splitter, Varejão e Nené, pelo que o novo jogador dos San Antonio Spurs terá de alternar minutos com os seus dois colegas.

Aproveitar bem esta oportunidade é meio caminho andado para que os texanos comecem a ver no poste brasileiro uma alternativa credível para a sua rotação no jogo interior e para, no futuro, substituir Tim Duncan como a grande referência do jogo interior dos San Antonio Spurs.

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