Entrevista a Inês Viana
Numa fase em que tanto negativismo rodeia o basquetebol lusitano, é bom saber que continuam a aparecer valores que nos dão motivos de orgulho e que nos fazem acreditar no potencial desta modalidade, e nas capacidades que tem em se desenvolver no nosso país. Depois da entrevista com Maria João Correia, agora é a vez de Inês Viana ser entrevistada. A jovem atleta da AD Sanjoanense foi uma das grandes figuras do Campeonato da Europa de Sub16 Femininos, em que Portugal terminou no 3º lugar da Divisão B, conquistando um lugar histórico para o nosso país, numa prestação que ficou a muito pouco de ser coroada com a subida à principal Divisão. A base sanjoanense foi escolhida para o 5 Ideal da competição, depois de prestações de grande qualidade, como por exemplo no jogo frente à Alemanha.
Eis Inês Viana em discurso directo.
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A vossa participação no Europeu surpreendeu muita gente. Antes de partirem para a Macedónia pensavam que era possível estar tão perto da subida de Divisão?
Era um objectivo, claro. Mas como toda a gente, tínhamos noção das dificuldades inevitáveis presentes na nossa selecção.
O “motor” da nossa equipa é sem dúvida a confiança que temos umas nas outras e isso faz-nos mais fortes. Por estas razões saberíamos que seríamos difíceis de bater.
Ao fim de 2 anos de intenso trabalho no CNT de Calvão esta medalha é a recompensa desejada? Os sacrifícios compensam?
Sinto-me obviamente recompensada. Espero que isto seja apenas um “empurrão” para os meus desejos. Todos os sacrifícios valem a pena pois só assim daremos o devido valor ás nossas decisões.
Durante o Europeu em que aspectos do jogo sentiste mais dificuldades?
A maior dificuldade foi claramente a falta de centímetros, mas uma coisa é certa, era um problema para nós mas também para as nossas adversárias. Talvez nenhuma delas estivesse á espera que de raparigas tão baixas poderia vir tanta garra e ambição.
Que tal a sensação de seres uma das escolhidas para o 5 Ideal do Europeu? Para ti, o que representa este prémio individual?
Nunca me tinha sentido assim. Foi incrível. Tenho de agradecer do fundo do coração às minhas colegas, pois sem elas nada seria possível.
Representa que vale sempre a pena esforçarmo-nos e lutarmos pelos nossos objectivos porque seremos recompensadas.
Se tivesses de fazer uma auto-avaliação do teu desempenho neste Europeu o que dirias? Em que aspectos do jogo pensas que estiveste bem, e quais aqueles que poderias ter estado melhor e que queres melhorar?
Foi muito bom, foi uma prestação muito positiva. Tanto a nível individual como colectivo, “um jogador não faz uma equipa, mas uma equipa pode fazer um grande jogador”.
Fiz coisas boas mas, naturalmente, nem todas me saíram como gostaria, isso depende muito de jogo para jogo.
Pensas que esta nomeação e as tuas exibições poderão ter algum impacto na tua carreira ou daqui a uns anos já ninguém se vai lembrar?
Espero que sim, seria uma honra enorme ser lembrada daqui a uns anos. Ficaria satisfeita por saber que dão valor ao meu trabalho.
Tens tido algum sucesso ao serviço da AD Sanjoanense (já com dois títulos de campeã nacional) e agora também a defender as cores de Portugal. Como vês o teu futuro: continuar na ADS ou tentar a tua sorte em campeonatos mais competitivos e mais atractivos, quem sabe fora de Portugal?
Gostaria de fazer mais um ano ao serviço da Sanjoanense, ganhar a maturidade necessária para poder participar nessas tão desejadas competições.
O meu objectivo é, sem dúvida, vir a jogar a um grande nível e se possível fora do país.
Para acabar, a pergunta habitual: que objectivos queres cumprir nos próximos anos?
Quero continuar a obter bons resultados colectivos e individuais. Tenho o sonho de vir a jogar no estrangeiro e espero concretizá-lo nestes anos.




