Entrevista a João Gallina

João Gallina é um jovem jogador de basquetebol que recentemente se sagrou Campeão Nacional no escalão de Sub18 Masculinos. À terceira foi de vez, com a medalha do 1º lugar a chegar num Pavilhão que este jovem extremo bem conhece: apesar de ter crescido na Ilha da Madeira e ter jogado no CAB, quando chegou ao escalão de Sub16 rumou ao continente e a S. João da Madeira, onde evoluiu no CNT-Paulo Pinto, passando também a defender as cores da AD Sanjoanense.

Depois de duas temporadas nos Centros de Treino no Norte do país, a mudança para o escalão de Sub18 deu início a um novo capítulo na vida do João que passando a integrar e a viver no CAR-Jamor transferiu-se para o SL Benfica onde tem evoluído ao lado de jogadores que já conhecia das Selecções Nacionais e dos Centros de Treino que frequentou.

Considerado por alguns treinadores como um jogador com boas condições para poder vir a triunfar, e sendo um dos grandes destaques da Geração de '94, eis João Gallina em discurso directo no BasketPT.com:

 

Na tua família existe uma grande ligação ao voleibol. Como é que o basket surgiu na tua vida?
Tanto o meu pai como a minha mãe tiveram uma carreira cá em Portugal ligada ao voleibol. Eu cheguei a jogar volley, até aos 12 anos, altura em que comecei a jogar basquetebol, no CAB.
O motivo pelo qual fui para o basket foi porque a minha mãe conhecia muita gente ligada a esse desporto e também porque os treinos de voleibol eram um bocado à “balda”, e dizia a minha mãe que eu precisava de disciplina e foi dela a decisão de me meter no basquetebol.

Foi difícil sair da Madeira com 14 anos para vir para o continente integrar o CNT Paulo Pinto? A tua mãe, habituada a estas escolhas no mundo do desporto, apoiou-te na tua escolha?
Claro que sim, a minha mãe foi a primeira pessoa a dizer que o mais certo era vir para o CNT. Óbvio que foi muito difícil deixar tudo e começar uma nova vida em São João da Madeira.
De início a minha decisão foi continuar no CAB e ir à Madeira no fim de semana, como ainda era novo não queria deixar os meus amigos, mas assim ia ter uma vida muito cansativa. Fui para a ADS por decisão minha e da minha mãe. 

Ao contrário dos teus colegas de CAR, ao fim-de-semana não podes ir 'a casa'. É difícil para ti gerir essa situação, ou ao fim de 2 anos e meio já estás mais do que habituado à distância familiar?
No primeiro ano principalmente, foi muito difícil aguentar as saudades de casa, ia a casa 3 vezes por ano! Mas ao fim de 3 anos já estou habituado e, tanto na ADS como no Benfica, eu e os meus colegas de equipa éramos praticamente uma família. Apoiamo-nos constantemente!
Isso também ajudou-me a não sofrer tanto com as saudades de casa.

Já passaste pelos 3 Centros de Treino existentes em Portugal para o basquetebol masculino. O que destacas de positivo em cada um deles? Qual o que mais te marcou?
No Paulo Pinto, por ser o primeiro centro de treino em que estive marcou-me mais a noção que passei a ter da diferença de nível de basket que temos entre Portugal Continental e as Ilhas. Adorava a cidade de São João, pequena e agradável!
Já em Paredes, posso destacar de positivo, muito positivo até, a metodologia de treinos usada pelo treinador, Rui Alves. Ensinava-nos muito e nunca se cansava de nos ensinar. O que mais me marcou foram as condições em que vivíamos, que eram extremamente boas, num hotel.
Actualmente, no Jamor, gosto muito da maneira que se trabalha e da oportunidade que nos concederam de poder jogar na Proliga. Lá encontramos muita oposição, jogadores mais fortes que nós e com muitos anos de basket. Ajuda-nos a preparar melhor para o Europeu. Gosto muito da liberdade que temos aqui, que também faz com que sejamos mais responsáveis.

Todos os anos costumam surgir rumores de que vais continuar a tua carreira em Espanha, mas a verdade é que até agora tens continuado por cá. O que é que falhou para não te teres mudado para o basquetebol espanhol?
Esses rumores não são muito mais que isso…Rumores. É verdade que tenho um agente espanhol, e todos os finais de época discutimos o que será melhor para mim na próxima temporada, mas nunca surgiram convites de fora de Portugal, mas espero que um dia ainda surja algo.

Ainda pensas seguir carreira no país vizinho, ou para já não vês essa mudança como fundamental?
Acho que em comparação com Espanha, a nível de treinos Portugal está de igual para igual. A única diferença são as oportunidades que dão os jovens potenciais em Espanha, como por exemplo jogar na ACB, enquanto que em Portugal essas oportunidades não existem.
Não tenho como principal objectivo sair de Portugal para jogar no país vizinho, mas realmente se surgir uma oportunidade de certeza absoluta que não irei desperdiçar. 

Depois de várias presenças em Finais Nacionais, conseguiste chegar ao título de campeão! Esta conquista tem ainda mais sabor por ter sido num Pavilhão onde jogaste 2 anos?
Realmente sabe muito bem ser campeão nacional após 3 tentativas! E quero agradecer aos meus colegas de equipa pelo trabalho que todos fizemos para conseguir chegar ao título.
Foi difícil, a nível psicológico fazer uma Fase Final no pavilhão onde joguei durante dois anos, mas acho que consegui passar essa barreira e fazer uma boa fase final.
Até me disseram “foi preciso mudares de clube para ser campeão em casa”!! Nunca me vou esquecer dessa frase!

Sentes que o teu lançamento exterior precisa de ser mais consistente para seres uma ameaça ainda maior para os teus adversários? Tens trabalhado nesse aspecto?
Melhorar o meu tiro exterior foi um dos objectivos propostos por mim no início da época. Tanto no CAR como no Benfica, com ajuda dos treinadores, esforcei-me e trabalhei bastante esse aspecto e acho que estou a atirar melhor e a ser mais consistente.
Sendo consistente, passo a ser uma grande ameaça para os meus adversários, visto que o meu forte é a penetração, aspecto que também trabalhei muito esta época, mas mais relacionado com a visão de jogo, os passes que consigo criar com as penetrações em drible.

Quando participaste no Europeu Sub16, quais as principais dificuldades que sentiste em campo?
No primeiro europeu que fiz, na Estónia, as principais dificuldades que senti foi precisamente nos pontos fortes do meu jogo: penetrar e acabar em cesto e nos ressaltos.
Na penetração, era muito difícil acabar em bandeja porque a nossa equipa era a mais baixa de todo o Campeonato; nos ressaltos, também por serem mais altos, cada ressalto era uma batalha para nós.
Tínhamos de bloquear forte e só depois ir para a bola, senão perdíamos sempre o ressalto com os “gigantes”.

Tens objectivos bem definidos para o que queres alcançar na tua carreira?
Não penso muito no futuro, prefiro pensar dia após dia no trabalho que fiz nos treinos, nos jogos, no melhor da equipa, etc.
Tenho apenas uma vaga ideia, que é fazer uma carreira a nível basquetebolístico.