Entrevista a João Pedro Grosso
Na temporada passada João Pedro Grosso foi uma agradável surpresa na Selecção Nacional de Sub16 Masculinos. De entre os 12 atletas convocados para esse Europeu, o jovem jogador do IE Juncal era o único que não estava integrado em nenhum dos Centros Nacionais de Treino. Contudo, teve um desempenho bastante agradável e surpreendeu quem não o conhecia, acabando por ser o melhor ressaltador de Portugal nessa competição. De surpresa passou a uma das agradáveis confirmações da Geração de '94 e este ano integrou o Centro de Alto Rendimento no Jamor, acabando por ser um dos vários atletas de primeiro ano convocados por Carlos Seixas para o Europeu de Sub18. Voltou a estar em destaque no capítulo dos ressaltos e foi um dos atletas mais utilizados pela equipa técnica nacional.
Nesta entrevista BasketPT.com, João Grosso dá-nos a conhecer o seu dia-a-dia no CAR Jamor, fala da sua evolução e das dificuldades que encontra nas competições que tem participado, mostrando ainda as suas ambições para os próximos anos da sua carreira, que para já continuará a passar pelo Juncal.
Conheça um pouco melhor as opiniões deste jovem português internacional pelas Selecções de Sub16 e Sub18.
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Desde que estás no CAR Jamor, em que aspectos sentes que mais evoluíste?
Penso que onde mais melhorei foi a nível de visão de jogo, adquiri experiência em tudo o que tenha a ver com basquetebol e a disciplina que ganhei comigo mesmo. O resto dos aspectos do jogo também foram melhorando ao longo da época.
Isto tudo deve-se ao facto de poder jogar o Campeonato da Proliga, treinar todos os dias com a maioria dos melhores atletas do país da minha geração e da mais velha e também pelos bons treinadores que tenho.
Para quem não conhece como se vive num Centro de Treino, como dirias que é o teu dia-a-dia habitual no CAR?
A vida de Centro de Treino é, por vezes, difícil e tem prós e contras. Tem-se uma vida bastante rotinada, muito do mesmo todos os dias.
No CAR onde estou integrado tentam dar-nos o melhor que podem, o que não quer dizer que sempre o façam. Mesmo assim temos uma boa cantina onde temos à nossa disposição boas e variadas refeições, são disponibilizados explicadores para as disciplinas em que sentimos mais dificuldades, e claro, na componente desportiva temos treinadores que puxam por nós e nos preparam o melhor que podem para virmos a ser jogadores profissionais. Mas esta vida tem também desvantagens como o afastamento da família, dos amigos, o pouco tempo que por vezes temos para conciliar estudos e descanso.
Mas no final de contas, o balanço é bastante positivo, pois ficamos mais independentes e ganhamos bastante experiência basquetebolística.
Que balanço fazes da experiência de jogar contra equipas da Proliga?
Faço um balanço muito positivo. Jogar no Campeonato da Proliga permite-nos encontrar jogadores bastante experienciados, alguns que já jogaram na Liga. São jogos difíceis, mas bons pois obrigam-nos a jogar em superação.
Eu acho que foi uma boa ideia darem-nos esta oportunidade de jogarmos este campeonato, pois os jogadores e as equipas que encontramos são parecidas com as que encontramos nos Campeonatos da Europa, e assim serve de boa preparação.
Ao jogar contra as equipas deste campeonato sentiste que ainda falta percorrer muito para conseguires jogar naquele nível ou noutro ainda mais elevado?
Há coisas que apenas surgem num jogador com a idade, com a experiência. Seria pouco humilde da minha parte dizer que já consigo jogar ao nível da Proliga, pois penso que ainda não consigo.
Penso que o aspecto que preciso de melhorar mais é o psicológico, conseguir preparar-me para tudo o que possa acontecer no jogo, estar concentrado durante os 40 minutos e conseguir lidar com as falhas. Os outros aspectos como o drible, lançamento, passe e defesa devem estar parecidas ao nível da Proliga, mas precisam ainda de ser aperfeiçoadas.
Na tua opinião, onde sentes mais dificuldades: a jogar contra equipas da Proliga ou num Campeonato da Europa?
Talvez na Proliga, pois existem jogadores que têm as mesmas capacidades do que os que encontro num Campeonato da Europa, mas têm mais experiência, o que por vezes se torna num factor decisivo.
Em que aspectos do jogo sentiste mais dificuldades nos dois Europeus em que participaste?
Nos dois Europeus em que participei senti dificuldades na percentagem de lançamento exterior, na defesa do 1x1 de frente para o cesto e na defesa em ajuda à bola.
Penso que isto seja devido à forte oposição que encontro mas também devido à falta de concentração que por vezes acuso dentro de campo.
Sabendo dessas dificuldades, em que parte sentes que mais precisas de trabalhar para estar ao nível dos melhores?
Preciso de me focar ainda mais durante todos os treinos e fazê-los sempre a grande intensidade. Preciso de consolidar bastante o meu lançamento e de melhorar bastante a minha defesa em todos os aspectos. O drible e o passe precisam também de ser melhorados.
Para o teu futuro próximo pensas continuar no Juncal, ou procurar novos desafios mais ambiciosos poderá estar no teu horizonte?
Pretendo fazer mais esta época de 2011/2012 no IEJuncal. Depois pretendo juntar-me a uma equipa da Liga, treinar com os seniores e tentar ir ganhando o meu espaço na equipa. Outra opção seria jogar no estrangeiro, num país onde existam campeonatos fortes e competitivos.
Pensas que as Festas do Basquetebol Juvenil em Portimão ajudam a dar visibilidade aos atletas de regiões onde a modalidade ainda não está tão desenvolvida?
Penso que sim, pois esses atletas de regiões onde não se pratica tanto o basquetebol (como Leiria) jogam e vêem jogar os melhores jogadores da geração deles ou até jogadores mais velhos.
E os que realmente gostam de basquetebol e querem melhorar o seu jogo vão para casa a pensar em melhorar para se equivalerem aos melhores.
Sentes que o facto de, a partir da próxima época, os jogadores Sub18 poderem ter subida de escalão a Sénior é benéfico? Porquê?
Acho que sim, que é benéfico para melhorar! Um jogador para melhorar tem de treinar e jogar em superação, só assim evolui. Isso torna-se mais fácil treinando com seniores, cometendo erros e fazendo por melhorar.
Além disso também estão a lutar por um lugar na equipa, logo é também um esforço extra por melhorar.


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