Entrevista a José Leite
A temporada 2010-11 foi, a todos os níveis, notável para a Quinta dos Lombos! O Clube de Carcavelos venceu as principais competições do calendário desportivo e deixou bem vincada a sua superioridade em relação aos mais directos adversários. Um dos grandes responsáveis por esta caminhada de sucesso foi José Leite, treinador, e não só, da equipa de Seniores Femininos do Lombos. Nos últimos 4 anos, a equipa saiu do Campeonato da 2ª Divisão, para dominar as principais provas federativas portuguesas, culminando com a conquista da Liga Feminina.
José Leite e a sua equipa merecem todo o reconhecimento, e nesta entrevista ao BasketPT.com, o treinador da Quinta dos Lombos passa em revista os feitos conseguidos, mas deixa antever o futuro com muito trabalho e entrega ao basquetebol.
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![]() Foto de Catarina Cabrita |
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Se no início da temporada lhe dissessem que iria conquistar Campeonato, Taça de Portugal e Taça da Liga, acreditaria que tal seria possível?
Penso que ninguém equaciona uma situação como esta. O que nós pensamos é em trabalhar forte e respeitar o nosso compromisso de competitividade máxima.
De qualquer maneira, não há dúvida que foi uma época em que (nos) surpreendemos contínuamente.
Depois de ter conseguido recuperar a Paula Muxiri, reconhece que a presença desta jogadora funcionava como se de uma "3ª norte-americana" se tratasse?
Penso que todas as nossas jogadoras, independentemente da sua naturalidade e nacionalidade, jogaram como verdadeiras Portuguesas, mulheres que souberam ser sérias e se superaram constantemente.
Claro que a Paula foi sempre uma referência fortíssima, não só pelo que conseguiu realizar em campo, mas principalmente pela capacidade de influenciar positivamente a dinâmica do grupo, dentro do seu papel de capitã de equipa.
Como vê o crescimento de jovens jogadoras como a Felicité Mendes e a Helga Gonçalves?
São atletas com um sentido profissional muito elevado e que ao terem a oportunidade de estar integradas num grupo com excelente atitude de trabalho,conseguiram potenciar muito positivamente as suas capacidades.
Estamos satisfeitos com a sua evolução, mas temos a noção de que estão ainda no início do seu percurso de alto rendimento.
Como explica este percurso de sucesso impressionante de um Clube que em 2007-08 compete no Campeonato da 2ª Divisão e garante a subida ao Campeonato da 1ª Divisão, e em 2010-11 domina por completo as mais importantes provas do basquetebol feminino em Portugal?
Quando se trabalha forte as coisas podem acontecer.
Fomos conseguindo criar ao longo das últimas épocas um grande espírito de clube, atraindo e envolvendo várias pessoas à nossa volta e, com o esforço e dedicação de todos (os que estão e os que por cá já passaram), procurámos crescer de uma forma equilibrada.
A escolha das jogadoras estrangeiras acaba por ser um dos factores mais importantes para o sucesso de uma equipa, e tanto a Alison Mann como a Jerica Watson acabaram por revelar-se escolhas bastante acertadas. Que preocupações teve no processo de escolha destas atletas?
A Alison já tinha passado por Portugal(CPN) pelo que tínhamos muito boas referências a seu respeito (que se confirmaram) e a Jerica (veio substituir a Star) já tinha jogado com a Paula em Espanha, pelo que também tínhamos alguma informação disponível.
Como sempre, o grupo acaba por valorizar as individualidades e vice-versa.
Depois de uma época extraordinária, para onde deve caminhar a Quinta dos Lombos? Quais os próximos objectivos a alcançar?
Sonhar sempre pelas maiores conquistas, mas trabalhar para estar pronto a reagir às maiores adversidades. Devemos ser humildes e ter a consciência que cada época é diferente da que passou, tendo paciência e estando à espreita de novas oportunidades.
Este ano, o factor Ticha Penicheiro trouxe alguma visibilidade ao feminino. Mesmo assim, considera que a atenção dada ao basket feminino em Portugal fica muito longe dos feitos que se vão conseguindo, tanto a nível da formação como a nível de seniores?
Penso que esta época não há razões de queixa, mas o importante é agarrar a prpróxima com pelo menos a mesma força e.. talvez já sem o empurrão da Ticha.
É decisivo a forma como Federação e Clubes consigam potenciar o que se alcançou este ano.
Onde pensa que a Liga Feminina deverá melhorar urgentemente para que possa crescer: em termos organizativos, de comunicação ou na qualidade das praticantes?
Penso que os três factores são decisivos e estão interligados.
Acho que é urgente haver um responsável (Comissário?) da Liga Feminina, que consiga agarrar o que de bom se tem feito e desenvolver este produto numa união entre federação e clubes.
Um dos poucos títulos que lhe fugiu este ano foi o Campeonato Nacional Inter-Selecções onde esteve com as Sub16 de Lisboa. Que balanço faz da Festa do Basquetebol Juvenil em Portimão?
As Festas do Basquetebol Juvenil são o momento alto do País juvenil e a prova disso são os níveis de competitividade que têm atingindo, fazendo corresponder índices de desenvolvimento porporcionais, aos melhores atletas de cada região.
No meu caso, tive enorme satisfação em trabalhar com colegas e atletas de elevado sentido competitivo e de responsabilidade.
Das jovens jogadoras que viu em acção, acredita que há potencial para num futuro próximo se melhorar a qualidade dos plantéis da Liga Feminina recorrendo às atletas que chegam dos escalões de formação?
Acho que sim e a Liga tem vindo a integrar muitas atletas da formação Nacional, valorizando os respectivos plantéis.


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