Entrevista a Pedro Silva

Pedro Silva é um nome mais do que conhecido por todos os que seguem o Campeonato da Proliga. O jogador que na temporada 2010-11 representou a equipa do Barcelos Hotel Terço foi um dos grandes destaques individuais da divisão secundária do basquetebol nacional, ombreando com os atletas norte-americanos pelo topo do ranking de MVP da Proliga.

Depois do sucesso alcançado ao serviço do Vitória SC, onde Pedro Silva conquistou um título de Campeão da Proliga uma histórica Taça de Portugal, e ainda o apuramento para a Liga Portuguesa de Basquetebol, o experiente poste seguiu para Barcelos e na Proliga voltou a conhecer o sabor do sucesso, tanto colectivo como individual.

Agora, novos desafios surgem na carreira de Pedro Silva, e nesta entrevista ao BasketPT.com, o poste português explica porquê.

 

Fotos de Cláudio Gomes

Pensas que um dos factores de sucesso do Barcelos Hotel Terço na temporada passada poderá ter sido o facto de muitos de vocês já jogarem juntos há algum tempo?
Sem dúvida que isso é um factor determinante!
Tive dois anos fantásticos em Barcelos, com um grupo de trabalho do melhor que se pode ter, muito experiente e com grande capacidade de sacrifício e entreajuda, não há dúvida que a união e amizade foi a nossa força.

O facto de terem conseguido a subida à LPB só com portugueses dá algum sabor especial ao vosso feito?
Claro que tem um certo sabor de conquista portuguesa, porque realmente não me lembro e peço desculpa se estou enganado, mas creio ser a primeira equipa a subir da Proliga só com atletas portugueses.
Não querendo menosprezar as equipas que alinhavam com jogadores estrangeiros pois nós mesmos alinhámos, na época 2009/2010 com dois estrangeiros, mas a aposta feita pelo Barcelos Hotel Terço foi uma aposta de confiança no jogador Português que deu o sucesso acima referido.

Porque razão decidiste não continuar ao serviço do Barcelos?
Creio que ajudei o clube a atingir todos os objectivos a que nos propusemos quase na perfeição. Digo quase porque faltou o título de campeão da Proliga, mas apesar de tudo foi uma época de grande sucesso para o basquetebol barcelense que espero que continue agora na Liga, na temporada 2011-12.
Saio com o dever cumprido e espero outra aventura, creio que o meu ciclo em Barcelos por agora fechou, mas quem sabe, o futuro a Deus pertence.

Foste um dos jogadores em maior destaque ao longo de todo o Campeonato Da Proliga. Sentes que ainda podes ser muito útil numa equipa da LPB?
Acho que estatisticamente fui o MVP Global da Proliga com GRANDE agradecimento aos meus colegas de equipa e treinadores MUITO exigentes que sempre me apoiaram e souberam tirar o melhor de mim o que me deixa muito contente e com vontade de encarar outros desafios seja na Liga ou até no estrangeiro.
Útil serei sempre, uma vez que adquiri ao longo deste tempo experiência suficiente para ajudar e ser ajudado naquilo que tiver que ser.

Como tens visto a evolução na Proliga, analisando os tempos em que estiveste no Vitória e agora no Barcelos. Pensas que o nível está a melhorar ou adecrescer?
Não noto muita diferença, na Proliga há equipas muito bem compostas com grandes executantes que se não tem uma abordagem correcta ao jogo perdem facilmente com uma equipa mais débil em termos técnicos mas forte em termos de entrega, espírito e entreajuda.
Gostava muito que o Campeonato da Proliga continuasse a evoluir e que houvesse mais olhos postos nesta competiçao, ou melhor dizendo em todo o basquetebol português pois a sua cobertura pelos meios de comunicação, comparada com outras modalidades, é quase nula. 

Ser chamado à Selecção Nacional é um objectivo pessoal?
Nao minto que não tenha tido esse objectivo, mas duvido que isso aconteça. A selecção já está bem servida na posição que ocupo e estão a surgir jovens valores com grande qualidade e que vão trazer á selecção num futuro próximo, espero eu, grandes alegrias.

Para jogador interior, não és considerado um atleta de grande estatura. Como consegues ultrapassar isso e ter o sucesso que tens?
Como creio que tenho boa habilidade técnica e táctica fruto da experiência acumulada ao longo dos anos, faço do meu handicap a minha maior força.
Tento sempre avaliar bem cada adversário que enfrento, na melhor maneira de frustar as suas intenções quando ataca e ultrapassá-lo quando defende.

Como jogador, qual a tua opinião sobre a recente decisão de se aumentar o número de atletas estrangeiros na Liga Portuguesa?
Não comento.