Entrevista a Tiago Raimundo

Tiago Raimundo é um jovem extremo que tem evoluído ao serviço do FC Barreirense. Internacional português pelas selecções de Sub18 e Sub20 foi escolhido como o MVP da Fase Final Nacional de Sub20 que decorreu na cidade do Barreiro, no passado mês de Maio, e que resultou em mais um título de Campeão Nacional para Tiago Raimundo.

Nas últimas temporadas, este extremo de 1.94m tem sido opção na equipa principal do Barreirense que tem competido na Liga Portuguesa de Basquetebol, e neste Verão aproveitou para melhorar as suas capacidades viajando até aos Estados Unidos da América para participar em campus de aperfeiçoamento técnico e para entrar em contacto com uma realidade distinta daquela que tem encontrado em Portugal.

Na mais recente entrevista BasketPT.com, fique a saber pouco mais sobre a viagem de Tiago Raimundo aos Estados Unidos da América, e sobre as suas perspectivas para os próximos anos da sua carreira desportiva.

 

Fotos de Nuno Tenório

Recentemente viajaste até aos EUA onde participaste em vários Campus. Com que objectivos decidiste fazer as malas e treinar do outro lado do Atlântico?
Conhecer uma realidade bem diferente da nossa e perceber se existe realmente capacidades para ombrear com algumas das maiores promessas, mundiais, da minha geração e para melhorar todos os aspectos do meu jogo.

Onde sentes que evoluíste durante a tua estadia no país do basquetebol?
Em termos de técnica de lançamento, pois o campo do Dave Hopla incidia principalmente na técnica de lançamento e na repetição deste; e em termos de intensidade de jogo, pois no Exposure Camp fui obrigado a manter uma intensidade e concentração elevadíssima em todos os minutos do campo.

E em que aspectos sentiste maiores diferenças para os restantes praticantes que por lá encontraste?
Em termos de intensidade e atleticidade.

É verdade que recebeste convites de treinadores da NCAA?
Sim, fui abordado por alguns treinadores de algumas Universidades, sendo que com alguns ainda mantenho contacto sobre a possibilidade de ingressar nos seus quadros.

Depois desta tua experiência, o que pensas fazer no futuro: continuar em Portugal, ou experimentar uma aventura no estrangeiro?
Para já, tenho como objectivo afirmar-me em Portugal, mas sempre com o desejo de jogar no estrangeiro, em campeonatos mais competitivos, com maior visibilidade para o seu Pais, nomeadamente, Estados Unidos ou Espanha.

Sentes que os jovens basquetebolistas portugueses trabalham pouco no Verão, ao contrário do que acontece, por exemplo, nos Estados Unidos?
Sim. Lá as equipas trabalham no Inverno e os jogadores no Verão. Cá, as equipas trabalham no Inverno e os jogadores no Verão…tiram férias! Embora esteja a mudar, ainda há bastantes jogadores em Portugal que preferem passar umas boas férias ao invés de melhorar o seu jogo individual. Enquanto lá, assim que um jogador acaba a sua época, já está a pensar como melhorar para a próxima época, procurando campos de aperfeiçoamento, torneios de 3x3 e 5x5.
Mas verdade seja dita, não temos muitas oportunidades de manter uma actividade regular durante o Verão a menos que treinemos sozinhos ou com alguns amigos. Deveriam existir mais iniciativas como o Torneio de Verão de 5x5 do Artur Cruz que permitem que tenhamos competição durante mais tempo.

Pelo contacto internacional que tens tido (Europeus, Campus EUA), onde sentes que mais temos de melhorar para nos aproximarmos do valor de outros países?
Mentalidade e Intensidade de jogo e experiência de jogo, que se adquire jogando ao mais alto nível, pois o que se verifica por exemplo nos campeonatos europeus de formação, é a falta de experiência em momentos chave do jogo, algo que as outras selecções nos deixam a léguas, pois nos respectivos países faz-se uma verdadeira aposta, global, nos jovens.

Qual a tua opinião sobre a aposta que o Barreirense faz nos jovens que vêm das camadas de formação?
O Barreirense prima por ter no seu plantel Sénior, todos os anos, 8,9 ou 10 jogadores formados no clube, o que por Portugal não se vê muito. Por isso penso que o Barreirense é um dos grandes motores em Portugal no que toca ao caminho que se deve tomar no nosso Basket, para que cada vez mais, os jovens jogadores tenham um contacto maior com o mais elevado nível de competição, preparando-os desde cedo para os embates que falámos na questão anterior.
E este ano o Barreirense irá mostrar que não é por acaso que aposta e jogam os jovens e exclusivamente oriundos do clube; e queremos que a Cidade volte a estar com o Clube para gritarmos bem alto o ORGULHO DO BARREIRO SOMOS NÓS!

Como jovem jogador que és, como vês a decisão de se aumentar o número de atletas estrangeiros na Liga Portuguesa: menores oportunidades para vocês, ou como a obrigação de trabalhar ainda mais para jogar?
Menores oportunidades para nós. Vejo muitos jovens que trabalham arduamente todos os dias, mas com 3 ou 4 americanos a jogarem para cima de 35 minutos é complicado haver espaço para novos valores.

O Tomás Barroso, José Silva e Cláudio Fonseca foram chamados à Selecção principal. Pensas que das gerações de 89, 90 e 91 poderão surgir mais jogadores que ajudem a garantir a renovação da Nossa Selecção?
Eu julgo que sim, julgo que estas gerações têm valores muito bons, prova disso foram os 2 últimos europeus dos Sub20 Masculinos - no ano passado falhámos o acesso às Meias-Finais por muito pouco e ficámo-nos pelo 7º lugar e este ano conseguimos melhorar a nossa prestação, ficando no 5º lugar, em relação às gerações de 90 e 91 respectivamente e em relação à geração de 89 obteve um grande feito em Sub16 tendo conquistado o direito de subir à Divisão A do escalão e vários desses jogadores, fazem hoje parte dos plantéis da nossa Liga Portuguesa de Basquetebol.
No entanto, é preciso que exista uma aposta séria nestes valores, tal como existe nos outros países. Por exemplo, se olharmos para o recente Europeu de Sub20 Masculinos, vemos que muitos jogadores com idade para estarem presentes, falharam o europeu por estarem integrados nas suas selecções Seniores e muitos deles são lançados em várias equipas de topo por essa Europa fora.
Portanto penso que num futuro muito próximo poderão surgir opções válidas para ajudar a nossa Selecção a continuar ou tornar-se ainda mais competitiva do que já é e a construir uma equipa com uma base forte para o futuro.