João Santos, Açores: «A preparação é sempre complicada»

calendar 03 Maio 2011 ás | user Miguel Tavares | coments 0 Comentários
Joao Santos

Durante a Festa do Basquetebol Juvenil 2011, que decorreu em Portimão entre os dias 13 e 17 de Abril, todas as Associações do país se fizeram representar com as suas Selecções Distritais, participando num dos maiores eventos do Desporto Juvenil em Portugal.

Uma das actividades organizadas em paralelo foi o, já habitual, Clinic de treinadores. Este ano, o tema prendia-se com a forma como algumas Associações efectuam o seu trabalho até chegarem a Portimão. Falou José Salgueiro de Setúbal, Mário Silva de Lisboa, Pedro Cura de Aveiro e Paulo Neta do Porto. Tiveram voz aquelas que são consideradas as maiores Associações do país, ou aquelas com maiores tradições basquetebolísticas - curiosamente ou não, os títulos da Festa deste ano acabaram por ser divididos entre estas Associações.

No entanto, também interessa saber como trabalham outras Associações em Portugal, e quais as dificuldades que encontram para realizar o seu trabalho. Por isso mesmo, o BasketPT.com foi falar com um treinador da Selecção de Sub16 Masculinos dos Açores, para saber as particularidades do trabalho que se faz neste arquipélago, e para ter noção de como é difícil reunir e preparar as equipas açorianas para a Festa do Basquetebol Juvenil. Descubra as diferenças nesta interessante entrevista.

Tem a palavra João Santos, treinador do União Micaelense e da equipa de Sub16 Masculinos dos Açores.

No Arquipélago dos Açores em quantas Ilhas é que o basquetebol tem alguma relevância? Isto é, em quantas se pratica basquetebol com competições associativas?
Nos Açores temos 4 Associações com competição, São Miguel (masculino e feminino), Terceira (masculino e feminino), Santa Maria (feminino) e Faial Pico (femininos e alguns escalões masculino).

O facto de serem um conjunto de Ilhas, e das dificuldades de acesso que daí advêm, como é que as Selecções dos Açores se preparam para a Festa do Basquetebol Juvenil em Portimão?
A preparação da Festa Nacional é sempre complicada, porque, enquanto numa Associação no continente em qualquer fim de semana ou mesmo semanalmente se consegue juntar os atletas para treinar e ir escolhendo os mais aptos, aqui isso não acontece. Normalmente nos dias antes da partida para Portimão é que se juntam os atletas das várias ilhas e se prepara, ou tenta-se preparar da melhor forma a participação em Portimão (6 a 8 treinos). Excepção feita a selecção de sub-16 masculino ou feminino (alterna todos os anos), que vai participar no Jogos das Ilhas, tendo estas a possibilidade de treinarem mais vezes e, de alguma forma, chegar melhor preparadas a Portimão. De facto, na Região dá-se, ou dava-se, mais importância aos Jogos das Ilhas. Julgo que ultimamente se começa a olhar de forma diferente para as Festas, já que, apesar de ter o nome de Festa Nacional, não deixa de ser os Campeonatos de Portugal de Selecções, e julgo que no futuro se poderá preparar de forma diferente a particição das selecções, isto é, haver mais estágios de preparação.
Só para dar o exemplo que confirma a importância que é dada aos Jogos das Ilhas, este Projecto é de 2 anos para a Selecção que vai participar, e nesses 2 anos fazem-se 8 estágios com uma média de 10 treinos, e alguns destes estágios ainda contemplam competição. Esta Selecção de Sub-16 masculinos, que eu oriento, neste últimos dois anos, fez 4 estágios fora da Região (2 em Ovar, 1 em Portimão e 1 em Bruxelas). Mesmo assim, esta selecção, que tinha obrigação de chegar melhor preparada a Portimão, teve dificuldades na preparação, pois o grupo foi sofrendo várias alterações ao longo deste processo, já que houveram atletas de desistiram da prática da modalidade, atletas que foram afastados por indisciplina, atletas que na altura das Festas foram de férias com a família, etc..

E ao nível de prospecção e observação de atletas em competição,como é que funcionam?
Vou falar de como é feita a prospecção e observação pela Associação de São Miguel, julgo que é feita da mesma forma pelas outras associações que têm a cargo as selecções. Normalmente são contactados os treinadores dos vários clubes que nos indicam os atletas que eles julgam que podem integrar a Selecção Açores e posteriormente o seleccionador vai observar a 1ª fase da Fase Final Regional, tendo sempre como orientação os jogadores indicados. No entanto, poderá ser sempre escolhido algum atleta que não esteja nessa lista. É claro que o seleccionador pode acompanhar, observar e conhecer melhor os atletas da ilha onde reside. Este ano, por exemplo, consegui fazer dois treinos e observação dos atletas da Terceira que já estavam referenciados e mais alguns indicados pelos clubes, aproveitando o facto de ter ido com as seniores do União Micaelense à Terceira jogar com o Boa Viagem.

Pelo que têm visto na Festa do Basquetebol Juvenil ao longo dos últimos anos, consideram que a distância para as restantes Associações tem estado a aumentar ou diminuir?
Depende das gerações. Por exemplo, em 2008 a Selecção de sub-14 femininas que eu orientei conseguiu obter o 3ªlugar da 1ªDivisão, ficando apenas atrás de Aveiro e Porto, conseguindo, por exemplo, ficar à frente das selecções de Lisboa, Setúbal, Coimbra que têm mais competição e têm um maior número de atletas e consequentemente maior leque de opções.
Os objectivos das nossas Selecções são fazer igual ou melhorar a classificação dos anos anteriores e, este ano, os Sub-16 masculinos melhoraram em relação ao ano passado, mesmo tendo ganho menos jogos que no ano anterior. Os sub-14 masculinos igualaram o 13º lugar do ano passado. No entanto, julgo que, se o formato da 2ªDivisão fosse igual ao da 1ª, esta selecção, nos dois últimos anos, teria grandes hipóteses de subir à divisão principal. Nos femininos, as Sub-16 desceram este ano, com algum azar à mistura, mas faz parte do jogo, e a sub-14, que possuía um bom lote de atletas, subiu à 1ª divisão. No entanto, é importante referir que, das 4 selecções, 3 ganharam o prémio fair-play. Resumindo, a participação deste ano foi muito positiva.
Para concluir e para ser mais conciso na resposta à pergunta, na minha opinião, a tendência é que as distâncias para as outras selecções diminuam, mas com maior incidência no feminino.

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