Onde estão os nossos jovens?

Miguel Tavares

Miguel Tavares

calendar 02 Setembro 2010 às 17:03
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No final da Fase de Apuramento para o Eurobasket, o seleccionador nacional Moncho López teve a seguinte declaração a um jornal desportivo "Esta não é a mesma equipa, nem do ano passado, nem de 2007. Durante os três anos que trabalhei com este grupo, analiso-o com uma realidade dura. Há equipas que estão a crescer, por que incorporam jogadores, talento, ganham experiência e a nossa está a fragilizar-se. Num país onde não há muitos jogadores de potencial para escolher, os anos passam e a equipa perde efectivos, fragiliza-se".

E eu não poderia estar mais de acordo. É evidente que a nossa selecção está a ficar envelhecida, os anos continuam a passar e não surgem novos valores que consigam ganhar o seu espaço no basquetebol nacional e, consecutivamente, na selecção principal – João Santos, Carlos Andrade, Miguel Miranda, Jaime Silva, Heshimu Evans, Élvis Évora já todos se encontram na casa dos 30. No sentido contrário caminham os restantes países do Velho Continente, lançando jovens jogadores na sua principal selecção, tendo valores em quem apostar.

Onde estão os nossos jovens?

No ano de 2005 e 2006 conseguimos dois feitos para o basquetebol nacional, aproveitando uma geração de jogadores que, segundo se dizia, era das melhores do nosso basket. No Verão de 2005, a selecção de Sub16 Masculinos garantiu a subida à Divisão A do Campeonato da Europa. No ano seguinte, os portugueses garantiram a permanência por mais um ano na Divisão A de Sub16 Masculinos. Estes jovens passaram a ser considerados promissores, e esperava-se que conseguissem outros feitos de relevo no futuro. Os jogadores responsáveis por estes dois momentos foram os jovens da Geração de 89-90. Onde estão eles?

Desta geração, destas duas selecções apenas 2 já se estrearam pela selecção principal de Portugal – José Silva (89) e José Barbosa (90). Quantos já competiram na LPB? Posso estar a fazer mal as contas, mas dos 22 escolhidos para a selecção de 2005 e de 2006, apenas 9 – José Silva, Cristóvão Cordeiro, Pedro Pereira e Samuel Lóio da geração de 89, José Barbosa, Marco Rosa, João Soares, Alexandre Coelho e João Guerreiro da geração de 90 - já competiram na Liga Portuguesa de Basquetebol. Cláudio Fonseca e Diogo Correia poderão estar prestes a entrar para este lote, mas até ao momento ainda não competiram no principal campeonato português.

Parece nitidamente pouco, especialmente se compararmos com os restantes países europeus. Vejamos o caso da Alemanha, país que juntamente com Portugal subiu à Divisão A no ano de 2005. Os alemães estão a participar no Mundial ’10 com uma renovada selecção em que sete dos doze jogadores tem menos de 22 anos. Grande destaque merecem os jovens da geração de 89, os tais que competiram com os portugueses no ano de 2005. Robin Benzing, Elias Harris, Tibor Pleiss e Philipp Schwethelm são os quatro elementos nascidos em 1989 que integram a principal selecção germânica. Em 5 anos os alemães conseguiram pôr 4 jogadores na selecção que disputa o Mundial, os portugueses conseguiram que José Silva fosse o 13º jogador da selecção que ficou no último lugar do seu grupo no apuramento para o Eurobasket.

O que aconteceu nestes 5 anos para que esta diferença seja tão abismal? Como é que vamos alterar este panorama?


Saudações
Miguel Tavares
 


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10 Comentarios »

1

Ricardo Alberto
03 2010 - 13:50
Mesmo que com um ano de diferença (1988), são de referir os jogadores Pedro Pinto (formado no FC Barreirense) e Fábio Lima (formado no Seixal FC e com passagem pelo(s) clube(s) espanhóis, de maior nomeação para o Pamessa Valência). Ambos jogadores que já efectuaram a sua estreia na Liga Profissional, tendo o Pedo Pinto sido chamado á selecção A para disputar esta fase de apuramento para o Eurobasket, mas penso que o Fábio Lima também foi convocado para a pré-convocátoria num modelo de estágio de observação, mas não tenho certezas perante tal facto. Quanto à veracidade deste artigo, penso que deverá ser dado pela minha parte total apoio e elevada escala de concórdia e veracidade. Hoje em dia, podemos referir que se trabalha bem no nosso basquetebol, mas deveremos fazer o asterisco que só até Sub-16. E penso que seja só a minha humilde opinião. O desenvolvimentos dos nossos jogadores é muito bom até essa idade (15/16), o desenvolvimento físico/técnico flui rapidamente, mas o grande problema é quando chegamos ao último ano de sub-16/primeiro ano de Sub-18. Acho que estas duas transições afectam bastante o suposto défice de desenvolvimento por parte dos nossos atletas como jogadores de basquetebol. A falta de competição em algumas associações é um facto incontronável no que toca à progressão do atleta, pois sem competição e adversários directos (falo entre clubes diferentes) o desenvolvimento cognitivo a nível do jogo não evoluí. Imaginemos que temos uma equipa e que jogamos numa AB em que a competição é medíocre para a nossa equipa. Os nossos jogadores a ganharem por 50 cada jogo concerteza nunca irão ao logo do seu percurso de jogador sofrer de pressão e de defesas muito apertadas. A partir deste facto podemos logo concluír que este é um ponto de dificuldade. E fazermos um campeonato mais amplo geográficamente? Agora revela-se outro problema, que é o de que muitas equipas iriam ter dificuldades em tal situação, pois o apoio monetário ao basquetebol não possui elevada concentração. Apresento este facto que é o mais simples, porque se formos observar pormenores relacionados com o jogo, como qualquer país iremos identificar bastantes defeitos. Digamos que até a personalidade do povo em questão e a própria postura para com a modalidade poderá afectar tal situação embora não seja um motivo que revele grande aparência e certeza. Mudar o sistema de competição seria apenas um passo, ou melhor, uma proposta. Mas não seria este o mais importante. É necessário alguém de novo, ou mesmo uma das pessoas presentes neste país relativamente ao basquetebol que se "cheguem à frente", e que apresentam teorias novas, e penso que seria nosso dever livrarmo-nos de preconceito e das nossas próprias ideias, e sim prestar atenção ao que cada um tem para dizer.
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patanegra
05 2010 - 22:48
1º Ponto: terminar imediatamente com o proteccionismo aos jovens que é o escalão de Junior A. Não protege nada impede a evolução. Um jovem sub 16 em qq lugar do mundo pode jogar em seniores e no seu escalão, em Portugal, não.
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atlético
06 2010 - 16:18
Porque razão não são observados os jogadores que passaram pelo CAR e pelos CNT´S das gerações de 85 até 89, investiu-se nesses jogadores por serem os de mais elevado potencial da sua idade. É preciso saber: Onde estão? onde jogam? evoluiram? ou é mais facil convocar só os que jogam na Liga?
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Miguel Tavares
06 2010 - 18:26
Caro Atlético

Não percebi se a sua pergunta inicial era para mim ou para os responsáveis do basket português em geral. Se foi dirigida a mim, apenas decidi analisar os jogadores de 89 e 90 porque nos seus tempos iniciais conseguiram resultados de relevo ao serviço da nossa selecção. Por isso os referi e aproveitei para comparar com uma geração de um país que teve resultados semelhantes. Além disso, considero que jogadores nascidos em 1985 e 1986 já não são jovens promessas. Ou já não deveriam ser...

Quanto às convocatórias, penso que sim, que os melhores jogadores estão na Liga, e se não estão deveriam estar pois é a treinar e a jogar com os melhores que mais se evolui. Apesar disso, sei e reconheço que na Proliga existem vários jogadores interessantes e com algum potencial. Mas se nem os que jogam na Liga se mostram preparados para os duelos internacionais, serão os da Proliga e CNB1 que estão mais habilitados?

Abraço e obrigado pelo comentário! Espero que a troca de ideias continue de forma saudável
5

adepto
06 2010 - 18:53
na minha opiniao acho que se deveria limitar mais o numero de americanos e estrangeiros, e obrigar os clubes a apresentar jogadores formados no próprio clube..
a maior parte das equipas tem 3 americanos, mais 3 ou 4 portugueses relativamente mais experientes,como esperam que os jovens apareçam, evoluam e compitam?
isto já pa nao dizer que continuo a achar que temos uma liga com poucas equipas.
Apesar de nao ser da Cnb-2 que saem os nossos internacionais,sempre dá para dar um exemplo da bela organização do basket em Portugal.Divisao onde até actuam jogadores da liga emprestados a clubes satélite, é uma divisão onde (nao sei o numero certo) cerca de 60 a 70 equipas começam o campeonato e dessas equipas todas apenas 12 é que NAO ficam de ferias em MARÇO!!!!!!
Podia ficar aqui uma tarde a dizer coisas que acho estarem mal no nosso basket
6

zezinho
08 2010 - 13:48
Caro Adepto:
Desculpe-me discordar de alguns pontos:
1º os jovens têm que trabalhar mais para ganhar os lugares e não ficar à espera que os regulamentos os protejam.
2º Os campeonatos acabarem em Março, ou Abril seria óptimo para JOGADORES ambiciosos, que teriam muito mais tempo para se desenvolverem como jogadores, mas era preciso trabalhar, e a maioria dos nosso jovens gosta pouco disso.

Falta muita ambição em Portugal, os nossos jogadores são pouco ambiciosos!
7

adepto
08 2010 - 21:32
tempo para se desenvolverem como jogadores ou tempo para se desenvolverem como atletas?
eu acho mais dificil desenvolverem-se sem competiçao e jogos do que apenas com treinos... nao acha zezinho?
por essa lógica devíamos tirar os jogadores da selecção dos campeonatos... para eles poderem treinar
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zezinho
09 2010 - 00:45
já viu o que acontece na maior fábrica de jogadores do mundo a NCAA, qt tempo jogam? Como jogadores e como atletas.
9

shadowz
09 2010 - 12:38
Caro adepto , também não concordo consigo em relação á limitação do numero de estrangeiros, se a nossa liga é fraca com eles o que seria dela sem eles.
Penso que na grande maioria dos casos os americanos vêm acrescentar algo ás equipas, pouco ou muito mas acrescentam ("apesar de nao serem americanos com a qualidade de antigamente",longe disso)! E é a competir com melhores que os jovens se vão tornar melhores. Penso que a redução de o numero de estrangeiros seria um descalabro ainda maior na qualidade da nossa liga.
10

adepto
10 2010 - 19:07
entao pela vossa lógica, vamos lá tirar essas limitaçoes,e passar a ter equipas portuguesas com 6 ou 7 americanos e os portugueses que se desenrasquem... é isso? sempre tínhamos uma liga mais competitiva sim... mas de estrangeiros
até do ponto de vista economico era melhor para as equipas haver mais limitaçoes, porque é por essas e por outras que hoje em dia há equipas que chegam à liga profissional e passado 3 ou 4 anos ou vão á falencia ou vão parar a cnb-2.. é preciso dar exemplos?
sim,porque hoje em dia um clube com essa ideia de ser competitivo, nao se importa de pagar 2000euros( ou até mais ) a um americano, ou a um portugues experiente,mas se for pa dar 300 ou 400 euros a um jogador que vem da formaçao já dizem que é uma roubalheira.
há equipas na liga profissional que nao têm praticamente jogadores da formaçao do proprio clube...
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miguel tavares

Miguel Tavares é um dos responsáveis por trazer as notícias de basquetebol que vos apresentamos.

Miguel é treinador desta modalidade no CP Esgueira, clube onde fez toda a sua formação como jogador.  Quando 'pendurou as botas' e passou a treinador começaram a surgir oportunidades de falar de basquetebol em diversos meios de comunicação social, nomeadamente na rádio e internet - foi um dos criadores do blog Seis25, entretanto encerrado.

Essa experiência tem agora continuidade no BasketPT.com onde poderá escrever no formato que mais gosta, o do blog e dos artigos de opinião.

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