Onde estão os nossos jovens?
Miguel Tavares
No final da Fase de Apuramento para o Eurobasket, o seleccionador nacional Moncho López teve a seguinte declaração a um jornal desportivo "Esta não é a mesma equipa, nem do ano passado, nem de 2007. Durante os três anos que trabalhei com este grupo, analiso-o com uma realidade dura. Há equipas que estão a crescer, por que incorporam jogadores, talento, ganham experiência e a nossa está a fragilizar-se. Num país onde não há muitos jogadores de potencial para escolher, os anos passam e a equipa perde efectivos, fragiliza-se".
E eu não poderia estar mais de acordo. É evidente que a nossa selecção está a ficar envelhecida, os anos continuam a passar e não surgem novos valores que consigam ganhar o seu espaço no basquetebol nacional e, consecutivamente, na selecção principal – João Santos, Carlos Andrade, Miguel Miranda, Jaime Silva, Heshimu Evans, Élvis Évora já todos se encontram na casa dos 30. No sentido contrário caminham os restantes países do Velho Continente, lançando jovens jogadores na sua principal selecção, tendo valores em quem apostar.
Onde estão os nossos jovens?
No ano de 2005 e 2006 conseguimos dois feitos para o basquetebol nacional, aproveitando uma geração de jogadores que, segundo se dizia, era das melhores do nosso basket. No Verão de 2005, a selecção de Sub16 Masculinos garantiu a subida à Divisão A do Campeonato da Europa. No ano seguinte, os portugueses garantiram a permanência por mais um ano na Divisão A de Sub16 Masculinos. Estes jovens passaram a ser considerados promissores, e esperava-se que conseguissem outros feitos de relevo no futuro. Os jogadores responsáveis por estes dois momentos foram os jovens da Geração de 89-90. Onde estão eles?
Desta geração, destas duas selecções apenas 2 já se estrearam pela selecção principal de Portugal – José Silva (89) e José Barbosa (90). Quantos já competiram na LPB? Posso estar a fazer mal as contas, mas dos 22 escolhidos para a selecção de 2005 e de 2006, apenas 9 – José Silva, Cristóvão Cordeiro, Pedro Pereira e Samuel Lóio da geração de 89, José Barbosa, Marco Rosa, João Soares, Alexandre Coelho e João Guerreiro da geração de 90 - já competiram na Liga Portuguesa de Basquetebol. Cláudio Fonseca e Diogo Correia poderão estar prestes a entrar para este lote, mas até ao momento ainda não competiram no principal campeonato português.
Parece nitidamente pouco, especialmente se compararmos com os restantes países europeus. Vejamos o caso da Alemanha, país que juntamente com Portugal subiu à Divisão A no ano de 2005. Os alemães estão a participar no Mundial ’10 com uma renovada selecção em que sete dos doze jogadores tem menos de 22 anos. Grande destaque merecem os jovens da geração de 89, os tais que competiram com os portugueses no ano de 2005. Robin Benzing, Elias Harris, Tibor Pleiss e Philipp Schwethelm são os quatro elementos nascidos em 1989 que integram a principal selecção germânica. Em 5 anos os alemães conseguiram pôr 4 jogadores na selecção que disputa o Mundial, os portugueses conseguiram que José Silva fosse o 13º jogador da selecção que ficou no último lugar do seu grupo no apuramento para o Eurobasket.
O que aconteceu nestes 5 anos para que esta diferença seja tão abismal? Como é que vamos alterar este panorama?
Saudações
Miguel Tavares
10 Comentarios »
Ricardo Alberto
03 2010 - 13:50
patanegra
05 2010 - 22:48
atlético
06 2010 - 16:18
Miguel Tavares
06 2010 - 18:26
Não percebi se a sua pergunta inicial era para mim ou para os responsáveis do basket português em geral. Se foi dirigida a mim, apenas decidi analisar os jogadores de 89 e 90 porque nos seus tempos iniciais conseguiram resultados de relevo ao serviço da nossa selecção. Por isso os referi e aproveitei para comparar com uma geração de um país que teve resultados semelhantes. Além disso, considero que jogadores nascidos em 1985 e 1986 já não são jovens promessas. Ou já não deveriam ser...
Quanto às convocatórias, penso que sim, que os melhores jogadores estão na Liga, e se não estão deveriam estar pois é a treinar e a jogar com os melhores que mais se evolui. Apesar disso, sei e reconheço que na Proliga existem vários jogadores interessantes e com algum potencial. Mas se nem os que jogam na Liga se mostram preparados para os duelos internacionais, serão os da Proliga e CNB1 que estão mais habilitados?
Abraço e obrigado pelo comentário! Espero que a troca de ideias continue de forma saudável
adepto
06 2010 - 18:53
a maior parte das equipas tem 3 americanos, mais 3 ou 4 portugueses relativamente mais experientes,como esperam que os jovens apareçam, evoluam e compitam?
isto já pa nao dizer que continuo a achar que temos uma liga com poucas equipas.
Apesar de nao ser da Cnb-2 que saem os nossos internacionais,sempre dá para dar um exemplo da bela organização do basket em Portugal.Divisao onde até actuam jogadores da liga emprestados a clubes satélite, é uma divisão onde (nao sei o numero certo) cerca de 60 a 70 equipas começam o campeonato e dessas equipas todas apenas 12 é que NAO ficam de ferias em MARÇO!!!!!!
Podia ficar aqui uma tarde a dizer coisas que acho estarem mal no nosso basket
zezinho
08 2010 - 13:48
Desculpe-me discordar de alguns pontos:
1º os jovens têm que trabalhar mais para ganhar os lugares e não ficar à espera que os regulamentos os protejam.
2º Os campeonatos acabarem em Março, ou Abril seria óptimo para JOGADORES ambiciosos, que teriam muito mais tempo para se desenvolverem como jogadores, mas era preciso trabalhar, e a maioria dos nosso jovens gosta pouco disso.
Falta muita ambição em Portugal, os nossos jogadores são pouco ambiciosos!
adepto
08 2010 - 21:32
eu acho mais dificil desenvolverem-se sem competiçao e jogos do que apenas com treinos... nao acha zezinho?
por essa lógica devíamos tirar os jogadores da selecção dos campeonatos... para eles poderem treinar
zezinho
09 2010 - 00:45
shadowz
09 2010 - 12:38
Penso que na grande maioria dos casos os americanos vêm acrescentar algo ás equipas, pouco ou muito mas acrescentam ("apesar de nao serem americanos com a qualidade de antigamente",longe disso)! E é a competir com melhores que os jovens se vão tornar melhores. Penso que a redução de o numero de estrangeiros seria um descalabro ainda maior na qualidade da nossa liga.
adepto
10 2010 - 19:07
até do ponto de vista economico era melhor para as equipas haver mais limitaçoes, porque é por essas e por outras que hoje em dia há equipas que chegam à liga profissional e passado 3 ou 4 anos ou vão á falencia ou vão parar a cnb-2.. é preciso dar exemplos?
sim,porque hoje em dia um clube com essa ideia de ser competitivo, nao se importa de pagar 2000euros( ou até mais ) a um americano, ou a um portugues experiente,mas se for pa dar 300 ou 400 euros a um jogador que vem da formaçao já dizem que é uma roubalheira.
há equipas na liga profissional que nao têm praticamente jogadores da formaçao do proprio clube...
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Miguel Tavares »
Miguel Tavares é um dos responsáveis por trazer as notícias de basquetebol que vos apresentamos.
Miguel é treinador desta modalidade no CP Esgueira, clube onde fez toda a sua formação como jogador. Quando 'pendurou as botas' e passou a treinador começaram a surgir oportunidades de falar de basquetebol em diversos meios de comunicação social, nomeadamente na rádio e internet - foi um dos criadores do blog Seis25, entretanto encerrado.
Essa experiência tem agora continuidade no BasketPT.com onde poderá escrever no formato que mais gosta, o do blog e dos artigos de opinião.
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